História Geológica da Bahia

Para entendermos como se formaram as paisagens existentes na Bahia, é importante conhecer a história dessa terra, por isso buscamos “ouvir” o que as rochas e os grãos de areia têm a nos dizer, retornando, não 100 ou 10 mil anos, mas há milhões de anos, quando nosso continente era muito diferente.
Cada montanha, cada praia e cada ilha tem um passado, o qual chamamos de história geológica.
Nos 4,5 bilhões de anos da Terra, muita coisa aconteceu sobre sua superfície.
A seguir será apresentado um resumo do que os pesquisadores têm descoberto sobre o passado da Bahia.
Vamos embarcar em nossa máquina do tempo para conhecer um pouco da longa história dessa terra encantada.
Uma boa viagem a todos!

O Mar Espinhaço

Quando ocorreu?  
Entre 1,8 e 1,5 bilhão de anos atrás.

Dinâmica da paisagem: 
Fraturas surgiram na crosta terrestre, resultando no afundamento da região que hoje é a Chapada Diamantina e no surgimento de uma bacia sedimentar, que foi invadida pelo Mar Espinhaço. 
Das fendas da crosta fluia magma (rocha líquida vinda do interior da Terra), o qual subia até a superfície, formando vulcões explosivos. 
Há 1,6 bilhão de anos, o mar já cobria todo o centro da Bahia, os vulcões reduziram suas atividades e eram os deltas dos rios que transportavam e depositavam os sedimentos no mar (Silva-Filho, 2010).
Nesses deltas acumularam-se camadas de areia, silte e argila, formando pacotes sedimentares com mais de 100 metros de espessura.

 

O Deserto Tombador

Quando ocorreu?  Entre 1,5 e 1,35 bilhão de anos.


Dinâmica da paisagem: movimentos tectônicos comprimiram e levantaram a região, expulsando o mar e criando uma grande serra a leste. A chuva, o vento e o sol desgastavam as montanhas, transformando-as em blocos, areia e lama, que eram carregados pelos rios e transportados morro abaixo. 
Os sedimentos maiores, como blocos e seixos, depositavam-se na borda da serra, formando leques aluviais.
Os seixos menores, areia e lama eram carregados pelos rios, acumulando-se ao longo da planície. 
De tempos em tempos o mar invadia a região, para depois recuar novamente.
Foi nesse deserto que se acumularam os diamantes. Alguns pesquisadores defendem que eles vieram das montanhas da África, outros defendem que a fonte dos diamantes foram montanhas no norte da Bahia.

 

O Nascimento da Serra do Espinhaço

Quando ocorreu?  Entre 1,2 bilhão e 850  milhões de anos atrás.
 

Dinâmica da paisagem: Os sedimentos depositados acumularam diversas camadas, que soterradas transformaram-se em rocha. Os depósitos de argila viraram argilitos ou folhelhos; a areia, arenitos; e o cascalho conglomerados.
Essa transformação é o resultado de reações químicas que ocorrem no interior dos sedimentos, principalmente nos argilominerais, que se ligam aos grãos maiores, cimentando-os e agregando-os, formando rocha.
Há 1 bilhão de anos, todos os continentes se chocaram, o que resultou em uma grande pressão sobre nossos terrenos, dobrando e soerguendo as camadas sedimentares, formando a Cordilheira do Espinhaço Central. 
Expostas ao tempo, essas rochas começaram a ser erodidas pelo vento, sol e chuva, que esculpiram o relevo e deram origem a morros, vales e cânions.

Era Glacial

 

Quando ocorreu? Entre 850 e 705 milhões de anos atrás.
 

Dinâmica da paisagem: geleiras vindas da região de Jacobina desciam a serra e, ao atingir o mar, desmanchavam-se em icebergs, que, ao derreter, liberavam as pedras acumuladas em sua base, as quais depositavam-se no fundo marinho.
As causas de uma glaciação são variadas, mas, em geral, estão ligadas à redução da incidência dos raios solares na Terra, que pode ocorrer em eventos como: vulcanismo intenso – libera muitos gases na atmosfera, bloqueando a luz do Sol; mudança cíclica no eixo de rotação do planeta – deixa um hemisfério de “costas” para o Sol, provocando um inverno de milhares de anos; passagem do Sistema Solar por uma nebulosa, nuvem de matéria interestelar que bloqueia a passagem da luz do Sol. Isso nos mostra o quão importante é o Sol. Se sua luz não nos aquecer, congelamos.

O Mar Bambuí

Quando ocorreu? Entre 635 e 570 milhões de anos atrás.


Dinâmica da paisagem: com o fim da Era Glacial, o planeta voltou a esquentar e o mar se expandiu, cobrindo praticamente toda a Bahia. 
Esse mar raso e calmo era o ambiente ideal para a precipitação do carbonato de cálcio, que ao longo do tempo depositou-se no fundo do mar, gerando camadas de centenas de metros desse sedimento.
Essa foi a última vez que o mar invadiu a Chapada Diamantina. Nessa época ainda não existiam seres vivos com concha ou ouriços.
No mar prosperavam os estromatólitos, colônias de microorganismos fotossintetizantes que formam estruturas carbonáticas semelhantes a recifes. São os fósseis mais antigos encontrados na Chapada Diamantina, mais comuns na região de Morro do Chapéu.

 

O nascimento da Serra do Sincorá

 

Quando ocorreu? Entre 650 e 542 milhões de anos atrás.


Dinâmica da paisagem: todos os continentes se chocaram novamente, formando um mega continente conhecido como Gondwana. 
Esse contato resultou em uma compressão de nossos terrenos, que gerou uma série de dobras. Os geólogos chamam essa fase de ciclo tectônico Brasiliano, quando foram geradas diversas montanhas no Brasil.
Na região do Parque Nacional da Chapada Diamantina duas dobras têm grande influência na formação do relevo: Anticlinal do Pai Inácio e Sinclinal de Irecê.
As dobras que tem cavidade voltada para baixo       são chamadas de antiformes e as dobras que tem a cavidade para cima        são conhecidas como sincformes.

O início da separação dos continentes

Quando ocorreu? Entre 145 e 135 milhões de anos atrás.
 

Dinâmica da paisagem: forças tectônicas puxavam a África para leste e a América para oeste, o que fazia com que o continente fosse “esticado”.
Conhecida pelos geólogos como pré-rifte, essa fase se inicia com o afinamento e afundamento da crosta terrestre, marcando o início da separação dos continentes africano e sulamericano e a formação de diversas bacias sedimentares.
Seguindo sua dinâmica, os rios escavavam as montanhas e desciam as serras carregados de sedimentos, os quais se depositavam nessa nova bacia.
Os grãos mais finos foram retrabalhados pelo vento, formando um extenso campo de dunas.
Para termos noção da velocidade de afundamento dessa bacia, a cada um milhão de anos, a região afundava 32 metros (SILVA–FILHO, 2010).

Abertura continental

 

Quando ocorreu? Entre 135 e 115 milhões de anos atrás.


Dinâmica da paisagem: nossos terrenos continuaram a ser esticados, o que resultou em diversas fraturas, fazendo com que a região afundasse cada vez mais.
Nessa época a velocidade de subsidência era de 54 metros a cada 1 milhão de anos, formando o que os geólogos chamam de lago tectônico (SILVA–FILHO, 2010).
Em alguns pontos essas valas ultrapassavam cinco mil metros de profundidade e eram preenchidas com cada vez mais sedimentos que os rios traziam do continente.
As serras da Chapada Diamantina continuavam a ser erodidas, formando vales cada vez mais profundos.
Os morros do Pai Inácio e do Castelo (Vale do Pati) já existiam e provavelmente eram mais altos.

Deriva continental

Quando ocorreu? Entre 114 milhões de anos atrás até o presente.


Dinâmica da paisagem: nesse momento toda América do Sul se separou da África e o mar invadiu a região. Era o nascimento do Oceano Atlântico Sul.
Desde então os continentes vêm se afastando.
A cada ano, a América do Sul se move 10 cm para o oeste.
As montanhas do continente continuaram a ser erodidas pelos agentes intempéricos (sol, vento, chuva e seres vivos), transformando-se em cascalho, areia, lama e sais minerais. 
Os sedimentos, carregados pelos rios até o novo oceano, depositaram-se em sua margem, preenchendo o fundo com extensas camadas. Era a origem da plataforma continental e de nossas primeiras praias.

O sobe e desce das águas

 

Quando ocorreu? Entre 130 e 16 mil anos atrás.


Dinâmica da paisagem: há 130 mil anos, o nível do mar baixou e toda a plataforma continental ficou exposta. 
Os rios que desciam a serra passaram a escavar os sedimentos do antigo fundo marinho, formando vales e cânions. 
O nível do mar subiu novamente, alagando a área escavada pelos rios e deixando exposto apenas o topo dos morros que resistiram à erosão, formando ilhas. Há 16 mil anos o mar baixou e a plataforma continental ficou exposta novamente. 

O último avanço e recuo do mar

Quando ocorreu? De 5 mil anos atrás até o presente.
 

Dinâmica da paisagem: o nível do mar voltou a subir e há 5 mil anos estava cinco metros acima do atual.
Ao longo dessa nova costa se desenvolveram colônias de recifes de corais, principalmente na borda leste das Ilhas de Tinharé, Boipeba e Península de Maraú. 
Depois de atingir o seu ápice, o nível do mar começou a descer novamente, até chegar ao nível atual e, com isso, muitos recifes ficaram expostos à atmosfera e morreram.
A medida que o mar recuava, deixava para trás camadas de areia, conchas, matéria orgânica e argila, que se acumularam nessas antigas praias. Hoje, esses depósitos formam um patamar de quatro a cinco metros de altitude, conhecidos como Terraços Marinhos Holocênicos.

O presente

Atualmente a Bahia apresenta uma grande diversidade de praias, ilhas, estuários, serras, cachoeiras e vales.
Cada detalhe dessas paisagens foi construído ao longo de milhares e milhares de anos. Todo pedaço de rocha e qualquer grão de areia traz consigo um pouco dessa história.
Hoje, as serras rochosas do continente continuam sendo erodidas e seus pedaços carregados pelos rios até o mar.
Esses sedimentos são depositados nos mangues, na plataforma continental e ao longo da costa, formando os estuários e as praias.

SIGA-NOS

  • Instagram
  • Facebook Classic
  • Flickr Classic

Caminhos do Brasil

rodrigovalle@caminhosdobrasil.net

rodrigovalle8@hotmail.com

(75) 99983-9517 (whats app / vivo)

(75) 99968-7437 (whats app / vivo)

Termos e Condições

16742438000185

Rodrigo Valle Cezar

22676525875

© Caminhos do Brasil

 

Entrega de livros e mapas via correio com prazo médio de 10 dias úteis.

CNPJ: 16.742.438/0001-85

Rua Maria Adilson, 10 - Lençóis - BA