Parque da Muritiba - na trilha do diamante

 

Introdução

 

No coração da Bahia, a Chapada Diamantina é um paraíso selvagem, suas serras rochosas criam ambientes exuberantes, com paisagens de tirar o fôlego. 

 

Quando se anda por entre as serras da Chapada, diversas questões vem ao pensamento: como esses paredões rochosos se formaram? Aqui já foi mar mesmo? Como isso aconteceu? Quando? Por que no meio do sertão baiano brotam tantos rios? 

 

Esta coleção tem como objetivo responder algumas dessas perguntas, além de divulgar informações sobre a Chapada Diamantina em seus mais diversos aspectos: história, cultura, turismo, geografia, hidrografia, geologia, ecologia, lendas e outros mistérios da região, unindo o conhecimento tradicional à ciência avançada.

 

Para você conhecer profundamente a Chapada Diamantina, nós criamos algumas trilhas interpretativas, as quais apresentam descrições dos mais variados aspectos visitados. Por meio de uma breve retrospectiva da história da região será possível compreender como suas serras foram moldadas pela natureza e pelo homem.

 

Qualquer dúvida entre em contato conosco: rodrigovalle@caminhosdobrasil.net 

 

Boa leitura!

 

 

O Parque da Muritiba

 

O Parque Municipal Natural da Muritiba foi criado em 1986, com o objetivo de proteger a área recreativa do rio Lençóis, a captação de água da cidade e sua biodiversidade (FUNCH, 2007).

 

O passeio pela área é feito em uma média de 4 horas de caminhada por antigas trilhas de garimpos. Neste breve percurso, o visitante se depara com diferentes atrativos turístico: pequenas grutas, minas, poços, mirantes e cachoeiras.

 

Todo o percurso é feito em ambiente natural, por isso alguns cuidados são de extrema importância: 
- Existem muitos animais venenosos como aranhas e cobras, ande sempre calçado e olhe onde pisa e coloca as mãos;
- Sempre mantenha contato visual com a pessoa à frente e cuide de quem está atrás;
- Mantenha silêncio e esteja sempre atento ao guia;

O nível de dificuldade da trilha é moderado, com caminhada na serra, nas pedras, travessia de rios e pequenas cavernas, em um percurso total de 5Km.

 

Importante: Todo o percurso é feito em áreas naturais no interior do Parque Municipal Natural da Muritiba, sendo obrigatório o acompanhamento de um guia especializado.

Ilustração: Dmitri de Igatu

Caldeirões do Serrano

 

O Serrano consiste em uma área do rio Lençóis onde existem diversos caldeirões de águas negro-avermelhadas, muito utilizados para banho. O acesso é rápido e fácil, o que o torna um dos pontos mais visitados da cidade (CEZAR, 2014).

 

O nome Serrano vem da época em que os garimpeiros vindos de Minas Gerais e conhecidos como “Serranios”, garimpavam em seus caldeirões e grunas, de onde tiraram grandes quantidades de diamantes (FUNCH, 2007). 

 

As rochas pertencem a Formação Tombador,  composta por conglomerados, arenitos e pelitos com mais de 200 metros de espessura. É o resultado de 150 milhões de anos de sedimentação fluvial e eólica, com períodos de secas e de chuvas (BOMFIM & PEDREIRA, 1990).

 

Nesta época aqui existia um grande deserto com campo de dunas cortado por rios que desciam da serra. O mar estava próximo, e de tempos em tempos avançava, alagando a região (figura 1).

A história de um seixo

 

Para compreendermos as origens das rochas da Chapada Diamantina, vamos seguir os rastros de um seixo, e assim entender sua história.

 

Há pouco mais de 1,5 bilhões de anos, o seixo fazia parte de uma serra rochosa (figura 2), até que uma tempestade fez com que ele, junto de outros blocos, despencassem do paredão, rolando até o fundo de um vale (figura 3).

 

Lentamente, a água do rio carregou esses blocos morro abaixo, deixando-os arredondados de tanto rolar. Quanto mais distante a origem do seixo, mais redondo ele fica (figura 4).

 

Chuvas fortes formaram enxurradas que arrastaram os seixos envoltos em areia e lama. Ao descer da serra e chegar na planície, esse material depositou-se, formando leques aluviais. (figura 5).

 

Ao longo de milhões de anos uma grande quantidade de sedimentos depositou-se, gerando uma imensa pilha de cascalho, areia e lama. Soterrados nas profundezas da Terra por mais de 1 bilhão de anos, estes sedimentos cozinharam, virando rocha. Areia virou arenito e os seixos viraram conglomerados (figura 6).

 

Movimentos tectônicos comprimiram a região, soerguendo, dobrando e quebrando as rochas. Ao longo do tempo, o sol, o vento e a chuva escavaram as rochas dessa nova serra. A água infiltrou-se pelas fendas, esculpindo o relevo até chegar ao que vemos hoje, (figura 7).

 

Em alguns trechos do rio a água escavou caldeirões com mais de dois metros de profundidade. No fundo desses caldeirões acumula-se areia, cascalho e diamantes, que ficam rodando junto com a água, acentuando o desgaste da rocha e deixando o poço mais profundo.

Salão de Areias Coloridas

 

Neste local encontramos diversos salões, fendas e túneis, que em sua maioria foram escavados por garimpeiros à procura dos diamantes. Seu nome vem da diversidade de cores de areias existentes, originadas do intemperismo dos seixos.

 

A sua formação geológica é a mesma do Serrano, composto principalmente por conglomerado, com grãos de diversas cores, formatos e tamanhos, imersos numa matriz pouco abundante de arenito róseo (CEZAR, 2014).

 

A diferença entre as rochas do Salão de Areias e do Serrano é o grau de intemperismo que estas sofreram, vamos entender esse processo: o conglomerado pode parecer  maciço e impermeável, mas seu interior é cheio de pequenos espaços vazios, ela é porosa como uma esponja, de forma que a água consegue se infiltrar entre seus grãos, figura 13. 

 

Há 1 milhão de anos*, estes salões estavam a mais de 100 metros abaixo da terra. A infiltração da água da chuva pelas fendas e poros da rocha, resultou na dissolução de alguns elementos químicos como o ferro, deixando a rocha mais friável (figuras 10 e 17).
* Está idade foi estipulada apenas para fins didáticos, não sendo embasada em datação científica.

 

A água infiltra-se dissolvendo a rocha até encontrar uma camada impermeável (como um argilito), e então começa a se acumular, formando um lençól freático (figura 10). Nesses reservatórios o ferro e outros elementos se acumulam. Na figura 14 podemos ver o paleo-nível freático onde se acumulou ferro.

 

Nas fendas da rocha, por onde a água passou também se acumula ferro, que quando oxidado fica com tom alaranjado, figura 16.   

 

Com o passar do tempo a erosão se acentuou, as rochas da superfície foram carregadas pelo vento e pela chuva, as fendas se alargaram e a água rompeu a camada impermeável, rebaixando o nível freático (figura 11).

 

Com a descoberta de diamantes, a região foi invadida por milhares de garimpeiros que colocaram fogo na serra, reviraram o solo e escavaram diversos salões em busca de diamantes, transformando a paisagem (figura 12).

Cachoeirinha 

 

Esta pequena cachoeira é o ponto mais apreciado para banho pelos visitantes, devido a sua piscina de águas cristalinas. 

 

Este rio, conhecido como córrego Laranjeiras, não recebe muita água do escoamento superficial, que é rica em ácido húmico, a maior parte de seu volume provêm de nascentes de água filtrada pelas rochas, por isso sua água é mais clara.

 

O fundo do seu poço é coberto de areia e pequenos seixos, que são pedaços do paredão rochoso que se desprendeu. 

 

Diariamente, as rochas da Chapada Diamantina são desgastadas pelo sol, pela chuva e pelas plantas, e seus pedaços desmoronam morro abaixo, sendo carregados pelos rios até acumularem-se em poços.

 

Dentro da serra rochosa estão os diamantes, que neste processo também se desprendem da rocha e são carregados pelos rios, acumulando-se nos poços em meio a areia e ao cascalho, tendo sido muito explorados na época do garimpo.

Vida de garimpeiro


Ao longo do percurso existem diversas tocas, que são antigas moradias de garimpeiros feitas em pequenas cavidades da rocha. Na época do garimpo milhares de famílias viveram durantes anos nestas tocas e em barracas de pano.

 

“Em toda a extensão da serra do Sincorá, havia garimpeiros revirando a serra, não deixavam pedra sobre pedra. Também nos riachos, nas corredeiras e nos caldeirões que se formavam ao longo dos rios, enfim, em qualquer lugar, sempre havia um aventureiro disposto a arrancar das entranhas da terra a gema preciosa” (BANDEIRA, 2011).

 

A lei nas vilas e garimpos eram ditadas por coronéis, os quais mandavam na região impondo suas vontades através da força com seu bando de jagunços, era o coronelismo, tão famoso em todo o nordeste brasileiro.

 

Trabalhando em condições sub-humanas, sendo escravo ou como homem livre, o garimpeiro precisava se apegar em algo, sua religião principal era o Jarê, religião de matriz africana, considerado um Candomblé de cabloco, por cultuar os espíritos indígenas, além dos orixás tradicionais.  (SENAC, 2011).

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