Trilha geoturística do Vale do Pati

 

Percurso: Casa de Dona Raquel - Cachoeirão por cima

 

Ponto 1 – Casa da Dona Raquel (altitude 930m):

Este ponto consiste em uma casa de nativos do Vale do Pati, onde mora Dona Raquel e sua família. Estes e outros moradores do Vale, são elementos importantes no desenvolvimento do turismo e preervação do Meio Ambiente nesta área, pois oferecem abrigo e alimentação para os turistas. Além disso, esta população é grande conhecedora da natureza local e de histórias passadas na região, transmitindo para os visitantes conhecimentos a respeito da área visitada.

 

Neste ponto, o solo é bem desenvolvido (cambissolo álico), formado pela decomposição dos blocos do depósito de talus e do substrato rochoso. Os depósitos de talus são compostos por blocos de “deposição de sopé de escarpas, originado principalmente por efeito da gravidade sobre fragmentos soltos” (LEINZ & MENDES, 1963).

 

Ponto 2 – Nascente (altitude 933m):

Este ponto é utilizado para o abastecimento de água, nele localiza-se uma grande quantidade de blocos na superfície que se encontram alterados devido a processos intempéricos.

 

Uma curiosidade presente é o fato de existir um fluxo d’água abaixo dos blocos do depósito de talus, onde pode-se ouvir o barulho da água, mas não se consegue enxergá-la e para ter acesso a ela é necessário adentrar em uma pequena cavidade entre os blocos. Este fluxo é em grande parte abastecido pela água que infiltra-se no topo da Serra do Sobradinho, por entre as fraturas da rocha

 

Ponto 3 – Sopé da escarpa (altitude 1.150m):

Localizado no contato entre o depósito de talus e a escarpa. As rochas desta escarpa estão pouco alteradas com um tom cinza-arroxeado e diversas estruturas sedimentares em evidência (foto 2). Neste paredão rochoso encontram-se diversas bromélias penduradas e pode-se notar alguns blocos de rocha prestes a cair, resultado da ação do intemperismo sobre a escarpa (foto 3). As escarpas são paredões verticais compostos de metassiltitos e metarenitos da Formação Guiné em sua base e arenitos e microconglomerados da Formação Tombador em seu topo.

 

Ponto 4 – Interior da fenda (altitude 1.180m):

Esta fenda formou-se a partir de uma fratura que foi alargada devido ao desgaste causado pelo fluxo d’água em seu interior criando uma fenda com mais de 30 metros de profundidade e aproximadamente 10 metros de largura, foto 4.

 

Na superfície encontram-se blocos presos entre as raízes das árvores, cobertos por uma camada de matéria orgânica em decomposição (turfa) com mais de 0,5 m de espessura. Tais blocos provêm da decomposição dos paredões rochosos que limitam a fenda, resultando no alargamento da mesma.

 

O ambiente no interior da fenda é escuro e úmido, com água constantemente escorrendo pelos seus paredões, onde desenvolveu-se uma vegetação de mata pluvionebular, que são florestas montanas sempre verdes, sobre solos arenosos, acima de 1.000 metros de altitude, encaixados em vales úmidos nas cabeceiras dos rios e em fendas no topo dos morros, com árvores de médio porte, e presença de grande quantidade do palmito jussara (Euterpe edulis).

 

Ponto 5 – Topo da Serra do Sobradinho (altitude 1.230m):

Neste ponto, os microconglomerados e arenitos da Formação Tombador encontram-se muito alterados, pois estão localizados a mais de 1.200 metros de altitude, expostos diariamente ao sol, à chuva e ao vento, que com o passar do tempo desgastaram estas rochas formando rochedos ruiniformes, contendo diversos blocos tombados. Por tratar-se de uma fenda rasa e larga, a vegetação neste ponto apresenta características de campo rupestre com algumas espécies de mata pluvionebular (foto 5).

 

Ponto 6 – Mirante para o Vale do Cachoeirão (altitude 1.180m):

Este ponto é um dos locais mais visitados do Vale do Pati, pois apresenta grande beleza cênica e uma paisagem muito exótica, constituindo-se em um mirante para o leste com vista para o Vale do Cachoeirão, localizado a aproximadamente 300 metros abaixo deste ponto, consiste em um vale em V, produtos do entalhamento fluvial no substrato rochoso.

 

Este vale encontra-se cercado por escarpas verticais com tons alaranjados em seu topo, resultantes da oxidação do ferro presente nestas rochas. Em todo o vale encontram-se depósitos de talus, compostos por blocos desprendidos das escarpas acima citadas. Estes depósitos têm inclinação média de 45º e estão cobertos por uma densa vegetação de mata de encosta (foto 6).

 

A base destas escarpas é composta por rochas metassedimentares da Formação Guiné, formadas há aproximadamente 1,6 bilhões de anos durante o Proterozoico em um ambiente deltaico, onde o rio carregava para o mar sedimentos finos como argila, silte e areia fina que se depositavam formando deltas (figura 11).

 

O topo da escarpa é composto por rochas sedimentares da Formação Tombador, formadas há aproximadamente 1,5 bilhões de anos em uma planície aluvial com rios entrelaçados e campos de dunas, onde foram depositadas areias de diversas granulometrias e cascalhos.

 

Ponto 7 – Mirante para as cachoeiras do Cachoeirão (altitude 1.200m)

Este ponto consiste em outro mirante para o Vale do Cachoeirão, de onde pode-se observar cachoeiras formadas a partir da água que brota de diferente pontos do paredão rochoso, formando o “cachoeirão” na época das chuvas (foto 7).

 

Esta água que brota da escarpa foi captada no topo da serra, através da infiltração no substrato rochoso da água pelas fraturas, que acumula-se em sub-superfície, podendo formar aquíferos confinados, semi confinados e fissurais. Estes reservatórios liberam a água “lentamente” para o ambiente, abastecendo algumas das cachoeiras observadas deste ponto.

Deste mesmo modo são abastecidos alguns dos fluxos d’água encontrados no lado oposto da Serra do Sobradinho, como o existente no ponto 2. A seção geológica A-B ilustra esse processo de armazenamento e distribuição da água.

 

Ponto 8 – Poço no Rio Cachoeirão (altitude 1.190m):

Este poço encontra-se em um local sombreado, coberto por uma densa mata ciliar, que cria um ambiente muito contrastante com o seu entorno, um lajedo rochoso quente e ensolarado. Este poço é abastecido pelo Rio Cachoeirão e encontra-se diretamente sobre o substrato rochoso, composto por arenito fraturado, (fotos 9 e 10).

 

Estas fraturas condicionam a infiltração da água no substrato rochoso, que  passa a correr subterraneamente até ressurgir em alguns pontos da escarpa (foto 8). Pelo fato das nascentes do Rio Cachoeirão localizarem-se sob afloramentos rochosos, que apresentam baixa capacidade de reter água em superficie, este poço seca em algumas semanas sem chuva, como se pode observar nas fotos 9 e 10, tiradas com sete dias de diferença.

 

Importante: Todo o percurso é feito em áreas naturais no interior do Parque Nacional da Chapada Diamantina, sendo obrigatório o acompanhamento de um guia especializado.

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